quarta-feira, 21 de abril de 2010

A janela

Estava hoje em casa, dia chuvoso.. pensando, a chuva ficou mais forte então fechei a janela. Pronto aconteceu! e de repente eu me vi pensando diferente, olhando pra dentro, sem pensar no que tinha lá fora. Me veio um turbilhão de emoções e pensamentos que jamais tinha tido, tudo olhando através da janela que a cada momento ficava menos visivel.

Fui interrompida da minha viagem, por alguns meninos que brincavam na chuva e passaram correndo, nem me viram e se vissem não teriam parado. Comecei a pensar em como era bom tomar banho de chuva e que algum dia fiz isso e realmente não sei porque deixei de fazer.

Voltando a minha viagem, quase um transe de pingos escorrendo e vidros embaçados me vi sonhando, correndo, buscando, aprendendo, crescendo, percebi o quanto se pode aprender com os pingos, inconstantes mas sempre caindo, desorganizados, remotos... e comecei a pensar em gente. Gente de todo tipo principalmente aqueles que viram janela pra gente.

Transparentes, riscadas, embassadas, sujas e trincadas, nos deparamos com pessoas assim o tempo todo e nem sequer percebemos, algumas apenas passam por nós e quando percebemos já é tarde demais. Tem também as janelas almas, transparentes, nos completam e nos fazem ver a nossa imagem refletida como um sonho um choque de brilhos e cores, que nos faz sentir bem sem dizer uma palavra, basta apenas olhá-las. Essas são as mais dificeís de se achar.

Não importa quando, nem como, nem onde, em algum lugar em algum momento de nossas vidas temos a oportunidade de mudar, de ajudar alguém de ser janela, janelinha, janelão ou até mesmo um basculante e não se deixar abater ou desanimar. As vitórias e os fracassos dependem esclusivamente de nós, de como fazemos ou deixamos de fazer algo.

Sejam janelas almas, de alguém ou então de vocês mesmos e percebam o quanto é bom sonhar.

Boa Semana!


 

A troca


Pra mim, livro é vida; desde que eu era muito pequena os livros me deram casa e comida. Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede, deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava num outro e fazia telhado.

E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro pra brincar de morar em livro. De casa em casa eu fui descobrindo o mundo (de tanto olhar pras paredes). Primeiro, olhando desenhos; depois, decifrando palavras.

Fui crescendo; e derrubei telhados com a cabeça. Mas fui pegando intimidade com as palavras. E quanto mais íntimas a gente ficava, menos eu ia me lembrando de consertar o telhado ou de construir novas casas. Só por causa de uma razão: o livro agora alimentava a minha imaginação.

Todo dia a minha imaginação comia, comia e comia; e de barriga assim toda cheia, me levava pra morar no mundo inteiro: iglu, cabana, palácio, arranha-céu, era só escolher e pronto, o livro me dava.
Foi assim que, devagarinho, me habituei com essa troca tão gostosa que no meu jeito de ver as coisas é a troca da própria vida; quanto mais eu buscava no livro, mais ele me dava.

Mas, como a gente tem mania de sempre querer mais, eu cismei um dia de alargar a troca: comecei a fabricar tijolo pra em algum lugar uma criança juntar com outros, e levantar a casa onde ela vai morar.

(Mensagem de Lygia Bojunga para o Dia Internacional do Livro Infantil e Juvenil, de 1984, traduzida e divulgada nos 64 países membros do IBBY).

Outra leitura interessante das minhas provas de faculdade. Espero que aproveitem.

Receita de escrever poesias

Ingredientes:

Sonhos (quanto mais velhos "como pão dormido" melhor)
Realidade (a melhor é bem verdinha, brotando o dia inteiro)
Lembrança (da primeira chuva tomada, quando foi ao cinema com o primeiro namorado)

Preparo:

Separe a realidade em proporções iguais e coloque um pouco de sonho dentro de cada uma. Regue com a água que a meória guardou da primeira chuva. 
Cuidado, não exagere!
Se ficar doce demais, coloque algumas gotas do primeiro choro de amor.

Cuide bem dos seus sonhos:

As vezes querem a luz do sol, outras a escuridão da noite.
As vezes querem ouvir o silêncio do tempo, ou o barulho de vidas sendo erguidas.
É dificil entendê-los temos que ter calma e amor. 
Deixe-os repousar.

Em breve seus sonhos serão grandes árvores estendendo seus braços para o céu.
Transplante-as então para o papel ou então faça um jardim. 
O mapa do jardim será seu para você entregar a quem merecer.
(Felipe Coelho)
Este texto estava em uma das minhas provas da faculdade, eu achei tão interessante que resolvir colocar aqui e assim quem sabe poder fazer com que vocês sonhem sempre... e quando for possivel levem alguém com vocês nesses sonhos....

Sejam Felizes!