Hoje resolvi me despir de tudo. Deixei os floreios a e a poesia de lado, deixei cair a máscara da satisfação e resolvi me colocar numa posição diferente, mais vulnerável, mais realista.
Não quero hoje falar de amor, ou de felicidade ou de como momentos importantes nos fazem ver que estamos felizes. Quero falar de alma, ferida, machucada, despedaçada. Alma que muitas vezes deixa a boca sorrir quando na verdade tudo que mais quer é chorar. Que está sempre ali pronta pro que der e vier e nem sempre consegue se erguer, se ajudar.
Não quero dizer dos meus encantos, quero falar das minhas dores, das minha mágoas, pois elas são reais e fazem parte dos meus dias. Quero falar das minhas angústias das minhas decepções e de como me sinto um nada muitas vezes, buscando respostas no vazio, gritando no vácuo, querendo que alguém me escute e venha me consolar.
Não quero os risos eles me distraem e me mostram que em algum momento fui feliz. Quero as lágrimas pois elas me ensinaram a não desistir, a persistir e ir além mesmo que tenham dito que não poderia conseguir. Quero a incerteza do saber se vou conseguir, se vai valer a pena e se apesar de todos os meus esforços eu vou conseguir atingir o meu objetivo.
Não quero abraços nem sorrisos, quero apenas a verdade nua e crua, aquela que muitas vezes nos faz perder o chão ao ouvir, mas que adiante será o nosso alicerce para evitarmos os erros e até mesmo saber conviver com eles. Quero o devaneio, o sonho do nada, do tudo, de algo que sei que não posso ter. A coragem fugindo de mim quando tenho que tomar decisões importantes apenas para o corpo e não para a alma.
Enfim quero poder dizer me esqueça, me deixe em paz, suma daqui, sem cara feia ou bico, sem choques, sem mágoas e sem receio de depois desabar em lágrimas que com certeza me farão mais uma vez enxergar que assim como todos ou outros eu sou humana e que preciso enlouquecer as vezes para me encontrar.
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